
Crônicas e Comentários

Maria Rita
Uma Versão
Livre de uma Biografia Bem Leve
Por Cris
Passinato - RJ, 03/01/2004
Bem, começo um
ano com uma vontade louca de justiça.
Começo ano
querendo recomeçar e renascer, bem como, Maria Rita, sim, simplesmente a
menina Maria Rita, não tão com ares de menina, já em seu ventre
carregando uma vida, essa que renasceu no ano anterior, conseguiu realizar
mais um sonho - o de ser mãe!
Eu, imagino,
que MR tenha feito como dizemos, virado a página de toda sua vida,
desgarrado de qualquer vínculo ou laço que podia um dia ter vindo a ter
e até então e do ano passado para cá tenha se considerando nascer de
novo, no mesmo dia de sua vinda ao mundo, dia 09 de setembro do ano
passado, essa moça tímida, de reticências em reticências mandou seus
recados e mostrou um produto que se dizia definido pelo objetivo de batizá-la
de iniciá-la, mostrando a sua voz, o seu jeito de interpretar, a sua
cara.
Como não
interpretar isso como um nascimento?
A gestação?
Dois padrinhos, três colegas, muita estrada e experiências na carne, no
palco, isso foi a gestação que duraria por volta de dois anos, seguindo
assim um crescimento bem sadio e necessário para toda essa manifestação
de amadurecimento que foi o nascimento da sua estrela. Seria o firmamento
das certezas mais internas. O basta para tudo que não fosse o que ela
desejava, como assim canta!
Maria Rita, foi
lançada com o esplendor de uma estrela, já nascida pronta e com brilho
próprio, mas infelizmente, a mídia insistente e massificante, na vontade
de explicações do imponderável, só sensível, que é o talento que já
veio na veia, herdado sim, mas trabalhado com o que quer que seja o seu
preparo: aulas de canto, terapia, estudos intensos, exterior, muita família,
enfim, tudo é um todo, uma grande participação ativa de cada elemento
desses para efetuar o que temos, hoje em nossos corações, uma mulher de
força e de raça, como diz a canção.
O sangue,
sobrenome, irmãos, tudo isso foi substituído por independência,
auto-conhecimento e busca do mais exato, pela exigência que sempre a
consumiu, muito, mas muito trabalho duro.
O seu CD, Maria
Rita, homônimo, seu espelho, mostra que sua equipe é uma família, pela
inteira complementação de todos os elementos. Todos os envolvidos
parecem ter doado tudo de si em prol dessa concepção, desse parto
natural, mas dolorido, pois foram por volta de nove horas diárias em média
de audições ouvindo o material que hoje está na boca do povo, sendo
cantado e repetido como suas próprias palavras, pois na música, ela
encontra a vida e da vida ela tira a música.
Nesse mesmo
clima, havia-se a necessidade da produção de um produto que levasse o
seu show, momento da maestria e magia maior dessa que não veio aprendiz,
já veio profeta, sempre serena, mas intensa e turbulenta ao mesmo tempo,
isso teria que entrar na vida
de cada um, assim veio a coisa de um DVD, onde na equipe com a reunião de
velhos amigos, de músicos maravilhosos, penso, que em um clima tão
positivo, só poderia sentir-se amor.
Tendo dois
filhos na mão, sua caminhada calma, com prudência foi agraciada e
surpreendida por mais um presente de Deus, mais um filho, esse, agora, na
realidade um bebê, que em cumplicidade tão grande extendida a sua vida
pessoal com MV Baldini será o testemunho vivo de que sua música é vida.
MR é isso, é
o misto de emoção com furacão que entra a cada momento que sobe ao
palco em erupção.
Essa energia
contagia por onde passa e por isso, que digo que MR nasceu em 2003, ano
que tatuou em seu coração pela vida inteira.

Crítica
Bem Positiva - Nasce Uma Estrela - Depois de ouvir o CD e ler um artigo
da Isto É Gente
Estava
meio apática, sem grana, sem rumo, sem aulas para dar, quando de
repente entrei de férias na Universidade, vieram algumas aulas
particulares. São muitos os problemas cotidianos e as despesas que um
pai e mãe têm que arcar com uma "marmanja" de 30 estudante
ainda, por isso, a verba foi aplicada em dar algum retorno para meus
pais, mas caminhando um dia pelo shopping, vi um pôster lindo na
livraria Siciliano. Enorme, a foto de uma moça de rosto
virado dançando pegando na barra da saia, quando li: "O lançamento
do cd que se esperava" vendo que se tratava da tímida Maria Rita
Mariano que teria um dia visto somente no programa do Serginho Groismann,
o Altas Horas da Globo só cantarolando uma melodia sem letra que apesar
de achar estranho e ver aquela moça correndo para fora do palco cheia
de vergonha, gostei muito. Entrei na Siciliano e paguei o mico de
perguntar quanto custava e tal, mas ainda nem tinha saído e sim seria
lançado no dia seguinte no show que infelizmente não pude ir. Lembrei
ainda que um tempo atrás foi engraçado o que aconteceu quando a
ouvi no rádio com Milton Nascimento, cantando "Tristesse":
perguntei para minha mãe assim; "Mãe, a Elis cantava essa música?
Então, vimos quando o radialista da JB falou ser a Maria Rita. O pior
foi na sala de aula que um garoto metido a saber muito de música só
porque tocava alguns acordes no violão para se exibir no corredor da
Universidade dizer que a música que eles cantavam era horrível e eu
quase partir para cima dele falando o contrário. Nossa,
espantei-me com a semelhança, mas ao vê-la falar veio logo uma certa
vontade de correr mesmo como ela mesma descreve acontecer com as
pessoas que correm, mas para dizer que ela é muito querida, não só
por ser a filha da cantora que minha mãe e meu pai tanto amaram e me
fizeram aprender a amar e cantar, mas também por ela ser tão talentosa
e nos trazer de volta a boa e velha, perdida MPB.
Pois
é, porque contei a coisa toda da grana? Porque no meio da dificuldade
queria um prazer, dar um presente para mim mesma que estava sem ter o
que cantar no chuveiro, sem ter o que ouvir de bom, sem ter o que ficar
lembrando e cantarolar. É isso! Tinha que ser algo bom, algo que
custasse meu dinheirinho suado, mas que tivesse qualidade. Baixei mp3 de
um canal da internet, mas não era suficiente, queria todas as músicas,
queria as letras, então perturbei meu pai e ele que não titubiou e nem
exitou em comprar o cd da Maria Rita que ansiosa esperando sair e com
medo de já acabar, pois todos falavam do evento, mas levamos ainda uns
3 dias para consegui-lo (daí confiarmos nas estatísticas da Warner
Music da vendagem). Conseguindo abri correndo e fui para o meu som
ouvir. Como foi engraçado, pois não parei de ouvir. Aliás, minha mãe
exclamou que se fosse de vinil coitado do disco iria furar, pois não
havia quem me tirasse de perto do som. Depois fui para o micro baixar as
faixas extras no site surpresa da Maria Rita, além de colocar a família
para ouvir e agente se empolgar. A muito tempo não via isso aqui em
casa. Muito bom. Eu falei para minha mãe que não havia sequer uma
faixa de que eu não tenha adorado, sem dizer que amei mesmo foi
"Encontros e Despedidas", enfim foi assim.
Por
isso e mais um pouco resolvi buscar o site na Warner, assinei a
newsletter da gravadora, cadastrei-me no site, fui em busca de informação
e resolvi tecer uma criticazinha, de fã de carteirinha, porque tem
tantos já que nem sei se sou a número um e nem sou tão seleta e elite
assim para ser tanto e escrever sobre essa moça que sabe tudo de música.
Bem,
amo música, cantei em corais de igreja, cantei em colégio, para amigos
em barzinho, aqui em casa acho que desde que nasci meu pai cantava nos
meus ouvidos as operetas italianas que ele ama, pois tem timbre tenor,
mas amo cantar, como ela também, no chuveiro, arrumando minhas
coisinhas, andando de bicicleta, até montando a cavalo já cantei, por
isso acho que veio a questão de me sentir tão próxima e querer
escrever sobre a artista.
O
CD de Maria Rita Mariano: Maria Rita, simplesmente, está um primor..
Regado de um som impecável e de letras poéticas de diversos ícones e
compositores que vêm ainda despontar para o sucesso e a notoriedade em
músicas tanto ou mais melodiosas quanto seus versos. Há de se destacar
Cláudio Lins e Marcelo Camelo, os consagrados nem vale lembrar, sabem
que são maravilhosos!
Quem
gosta de ouvir boa música se encantará. Quem gosta de cantar só terá
suas letras na cabeça para cantarolar. É completamente contagiante!
Ainda,
nessa temporada, foram marcados e confirmados novos shows no Rio, em
Sampa e depois iniciará uma turnê por todo Brasil. Além de sair seu
DVD e um especial na Rede Globo, após o Fantástico, nos dias 5 ou 12
de outubro, segundo saiu em newsletter oficial da Warner Music, sua
gravadora (http://www.warnermusic.com.br),
onde inclusive Maria Rita tem um site.
Nesse
site podemos ler um pouco mais sobre sua biografia, trajetória,
trabalho e carreira, enfim conhecer a menina esperada por tantos anos
realmente sendo produto de seu próprio trabalho.
Acho
que chega de comparações, pois Maria Rita já mostrou que tem seu
lugar e valor pode endo estar até mesmo do lado de sua mãe, mas
como bem mesmo disse a mesma em entrevista para a Globo, declarando que
não pretende ocupar o lugar de ninguém, pois o da Elis, nem ela
(orgulhosa) tirará.
Agora,
cá para nós, fica uma observação: quem não fecha os olhos ouvindo a
Maria Rita e não lembra de sua mãe e quem não repara que até em
gestos, expressões e feições a cantora é a cara da mãe?
Se
Elis fosse viva, eu garanto, a ela não escaparia o comentário: ela tem
a quem puxar! Puxou a mãe!
Que
me desculpe, mas não tem como desvincular realmente!
Cante,
pois a sua força está na sua voz!
Em
um fórum - http://www.chicopinheiro.com.br
- meu comentário sobre Popó, a música que ela canta mais marcante
para mim no CD que é uma obra prima do violinista que teve um projeto
lindo que lançou Maria Rita:
Cara,
não posso me extender muito sobre a questão Maria Rita, senão vou
desdobrar mil postas, umas 10 horas de depoimentos, de vivências, de
coisas que relacionam-se e uma delas é essa primeira apresentação de
Popó que me marcou de forma engraçada...
Pois achei a MR estranhinha, mas talentosérrima!
Achei a MR assim, esquiva, amdrontada, achei meio estrenha mesmo, mas
uma coisa me dava: muita curiosidade sobre ela e sobre o Chico...
Qdo vieram ao Mistura Fina, estava em provas, atolada de matérias em
faculdade e não pintou aula para eu bancar meu ingresso, enfim, depois
de um tempão, uma apresentação no Rio dela, da menina esquisita, tímida
a beça que tinha me deixado encafifada com aquela música sem letra,
ehehehe...
Aquela garota que saiu correndo de vergonha, mas que me deixava danada
de ter aquela voz melodiosa, mas sem letra...
Enfim, ouvi-a no rádio em tristesse com o Milton tempos depois, pronto,
fiquei toda arrepiada, não pq parecia a Elis, mas sabia que a menina
esquisita e tímida, aquela que usava a voz como instrumento ganhou
letra, tomou corpo e sucesso!
Nossa! Fiquei pasma, chorei, mamãe sorriu e nem entendeu e logo logo a
vi num poster enorme no shopping na porta de uma livraria que nem sabiam
quem ela era e eu sabia, já conhecia, mas não tinha a visto ao vivo...
O detalhe: não pode ter nada na TV, show no Rio, disco que saia,
pronto, fico louca, fiquei doente, só sei que aderi e estou delirando
na febre Maria Rita e me orgulho, pois ela é demais de competente, séria
e respeitosa!
Coisa que estava em falta, hoje nesse cenário da MPB!
Depois, por acaso vim a reconhecer, vir a saber que sabia e conhecia
muito mais do Chico que imaginava, mas agora: Tb não vou deixar de
ouvir e conhecer mais um artista maravilhoso...
Aqui conheci outras pessoas e artistas que são de tão grande talento e
que acabam por completar um círculo que comecei a conhecer através da
MR, mas é muito recompensador saber que encontrei um grupo tão
maravilhoso!
Bjinhos,
Cris
Tortura
de Fã
É engraçado, desde que
Maria Rita apareceu para mídia de vez, eu que já admirava a voz e
seu talento de um tempinho para cá, comecei a ter um companheiro: o
seu CD.
Minha vidinha está tão morna e cheia de desilusões que o que me
embala, acalma, alegra, faz dançar, chorar é a pesquisa sobre a
pessoa maravilhosa e o talento indiscutível da já chamada
"Menina da Lua".
Quando vi seu show do Canecão anunciando não exitei, mesmo meio
duranga kid sabe?
Compramos um ingresso em lugar privilegiado!
Foi maravilhoso, conheci nos camarins, tirei fotos, umas saíram,
outras não, mas enfim, a única frustração por eu mesma barrar a
minha pobre mãe, pois ela ainda estava naquele histerismo de Elis,
ela é igual a Elis e eu sou daquelas do movimento anti-comparações,
mas não nego que às vezes pego-me a reparar e comparar para pagar
para ver o que dizem e tal.
Eu fui também fã da mãe, mas conheci uma época dela que a Maria
Rita no máximo está continuando um lindo trabalho, mas os legados,
as lutas que travará e as experiências que enriquecerão sua
capacidade de interpretação que já é incontestável, são diversas
em época bem distinta. Então isso me agredia um pouco, imagina a
ela, pois um desagradável houvera gritado um "Maria Rita -
Elis" desnecessário e uma fila inacabável já faria aquele
"elogio", então poupei-a e ao mesmo tempo podei minha
querida mãe e como me penalizo por isso, pois ela que fez de tudo
para ir comigo, venceu até a depressão e pânico que sente e foi,
ficou até mais tarde e convenceu meu irriquieto pai em ficar na porta
do Canecão nos esperando.
Pois bem, enfim tudo parecia muito bom e muito bem quando a coisa do
DVD dela apareceu!
Pronto, e eu pensando, se eu não comprar por internet e na pré-venda,
eu não consigo mais esse novo produto.
Está bem! — disse mamãe, mais uma vez.
Comprei e recebi muito rápido, enquanto a espera vencia uma grande
ansiedade procurava o ingresso no show do Claro Hall, perto aqui de
casa, esse foi mais difícil convencer a mamãe que já estava
preocupada com mil outras coisas, meio depressiva, mas no final das
contas disse-me que comprasse.
Conseguimos depois de 2 semanas, 3 recusas por falta de lugares nos
setores de palco e vip, enfim, consegui no setor especial, uma mesa de
cara para o palco, mas muito na lateral que só vimos a difícil
visualização, mas excelente proximidade da entrada dos camarins
quando chegamos por lá.
Um mês de espera e o dia chegou!
Fã sofre e mãe de fã sofre duas vezes. Não sou de fã clube e nem
quero ser, já no pouco que pude perceber há máfias e alguns
movimentos que não me interesso por participar.
Logo de cara vi um menino que veio de longe e estava também no Canecão,
tinha conseguido entrar a mando da Maria Rita, na parte VIP, da
imprensa e dos artistas, bem, o menino tinha conseguido que ela do
palco pegasse um bilhetinho seu.
Lindo, não?
Desse encontro, trocamos e-mails, sites indicados para informações
dela, e novidades, enquanto isso ele tentava falar com o segurança
para chamar alguém da produção.
Eu tinha nomes e tentei ajudar, mas insucessos foram desanimando o
probre menino.
Falei para ele que não desse os presentes e cartas para o segurança,
pois sabia que havia uma possibilidade de não chegar às mãos dela,
mas o segurança foi tão enfativo que não exitei, dei-lhe as minhas
lembranças junto, inclusive para empresária dela que é um amor.
O fato mais conflitante foi o que a segurança quis passar que a produção
estava nos vetando a tudo, como se não fosse já da conduta deles
quando Maria Rita tem shows posteriores e tem que partir nem mesmo
quase atendendo a imprensa, além de terem muitos familiares seus,
famosos, isso é um motivo para que não haja mesmo como entrar em
camarins, aliás havia uma atmosfera mais fechada, pois a cantora
havia descoberto a pouco gravidez, então, namorado e família também
a postos, então já estava sentindo um clima de Barrados no Baile, além
de já ter ficado na porta do Claro parada sendo confiscadas as flores
que eu lhe ofertaria, assim foi a coisa do pré-show!
Exatamente às 22 horas e 45 minutos estava previsto para o início do
show.
Puxei minha cadeira com um casal mais para trás, mas com visualização
maior, mas o palco muito de longe.
O telão focalizando também de longe.
Primeiros acordes e frase de Maria Rita criticados pela High Society
carioca, julgaram que a menina desafinara!
Duvido, minha emoção era tanta que nem reparei, aliás nem deve ter
sido muito, pois logo na segunda frase o vozeirão calou a boca da máfia
formada por alguns que ficavam rindo e gargalhando e dividia em tietes
que formavam um coro bem gostoso e contagiante e essa minoria desagradável.
Eu, confesso, não estava tão animada, pois meu dedo doía (tinha
quase perdido o dedo do pé a uma semana), deu vontade de repente de
chorar de não saber o que fizeram com as minhas flores, nem com meu
pacotinho, com 2 antologias, 2 cds e um cartãozinho meu com uma
poesia feita para ela e para o bebê, mas cantava, vibrava, mas não
dava quase para olhar para ela direito, estava muito longe, além do
quê os lanterninhas e graçons não paravam e teve uma hora que
levantei e o segurança perguntou-me se havia algo errado e não
exitei, sendo ele fatídico e enfático com os indivíduos desagradáveis.
Nesse momento, em específico, senti-me uma VIP, aliás o mesmo
segurança que havia atendido a mim e ao João (o tal menino do
bilhetinho). Um doce de homem que veio nos notificar que foi entregue
o pacote a própria pessoa e a Maria Rita do lado e assim ficando mais
tranqüila e feliz com a satisfação que ele veio dar com relação
ao que já sabia, sobre o show do dia seguinte.
Bem, assim foi passando música após música, delírio após delírio,
até que chegou o final e reparei que ela mandava levantar, não
pisquei e mandei ver, esquecendo da dor no pé!
E assim, o bis chegou, as pessoas iam ao palco, conseguiram dar alguns
presentes, pediram alguns autográfos, fotos comendo soltas e a boba
com a máquina guardada para disparar cliques somente no momento
certo.
Mas isso tudo se resumiu em um doce momento antecedidos pelo mais
humilhante dos momentos que passei!
Eu realmente não pensava que pessoas tão simples e como eu, como
constituem a segurança, podem nos chegar com algumas atitudes que
parecem que eles são mais do que são, só porque estão do lado de lá
da tal grade de isolamento.
Pessoas que já havia visto no Canecão por ali e alguns que não
haviam visto ainda a cantora.
Pessoas de outras cidades, estados, de bairros distantes e estando
sozinhas, cada história que só vendo.
Parentes e amigos também na mira deles, uma das meninas aparentava
ser de lá do outro lado e estar sem credenciais
e o segurança na malha fina.
Quase iam pegando a garota quando perguntei se conhecia alguém lá
dentro e a menina com cara feia respondendo que sim e eu tentando
defender alguém que nem sei quem é, nem me olhando com bons olhos
estava, também, colocando-me no seu lugar não estaria satisfeita
também, mas quando atendida foi pela lateral, pois era mais seleto e
menos se misturava, assim alguém insinuou, foi terrível!
O único que veio foi o Da Lua, o percurssionista que muito
provavelmente foi dar uma olhada para sentir o clima ou se tinha fãs,
ou mesmo procurar alguém conhecido seu, mas não pestanejei, gritei o
nome e falei 2 palavras, o abracei, pois o adoro, sinto uma coisa
legal nele, parece um menininho levado, sabe? Bem, deixa prá lá os
outros comentários a parte, pois ele é um fofo mesmo. O melhor é a
sua atenção para conosco e jeito simples de lidar com o público,
estampando sempre um sorriso, pena que os outros companheiros nem
venham nos ver.
Depois vi um cara que não sei o nome, também da produção, acho que
acessoria de imprensa, uns olhões verdes, muito louco, estava com uma
caipirinha na mão e muito feliz, falei com ele que agradecia pela força
no Canecão, aliás ele me deu um beijo na mão e me atendeu muito bem
no primeiro show e nesse segundo sei que não lembrava nem sequer quem
eu era, mas foi tão simpático que me deu um abraço bem forte também.
Ou seja, como eu posso falar dessa produção?
Pois bem!
Os seguranças ficaram de historinha até virem com uma coisa de que
ela tinha ido, e dessa vez estava mesmo de saída e a casa estava
fechada, nos fizeram entrar pelas grades a dentro falando que agora nós
íamos vê-la, mas cá para nós um dos seguranças, o com quem mais
conversei veio e perguntou se eu estava vendo mais alguém por ali.
Pois bem, foi o tempo dessa confusão que uns foram para um lado e
outros foram por outro e nós poucos, umas três pessoas e a
coitadinha de minha mãe fomos atrás de um segurança já à paisana
e com pena de nós e falando assim: "Ela acabou de ir para o
carro, é um carro preto e sai por ali pela rampa e vocês se
depararam com uns seguranças verão a moça ainda saindo, corre que
pega!"
Fomos nós, seguindo a saga a procura de Maria Rita, bem, a esse
ponto, estava com meu pé anestesiado e mamãe atrás correndo junto.
Chegamos no topo da rampa quando vimos um carro realmente saindo, mas
um coitadinho de um faxineiro sendo abordado pelos seguranças
portando uma foto de jornal e admirado por tê-la visto de perto, mas
não ter conseguido nada, nem cantar a música que ensaiara.
Tadinho, esse sim, fiquei com o coração cortado, sem dizer a moça
que veio de longe e teria que ir sozinha e sem dinheiro de ônibus
para casa.
O pobre João? Saiu bem antes, chorando, cortou meu coração.
Eu?
Entendi tudo, e agora só espero que saibam que somos um povo carente
de qualidade, bondade, por isso acho que a violência assola.
O sonho não se realiza, as poucas perguntas e trocas tão importantes
para artista, acho que eu que as senti, mas não tem importância,
Maria Rita tem muito o que sentir e terá muito o que sorrir e cantar
para nós!
Entendo que está em momentos de sua vida já turbulenta e atarantada
e que nada sabemos de um já estabelecido enigmático mito, pois a
pouco víamos algo e aos poucos nos escorre pelos dedos.
Sinta-nos mais Maria Rita...
Nós gostamos de você, queremos seu bem, entenda esse povo tão
sofrido!
Eu vou indo, mas e o Zé ninguém, como vai fazer?
Nem entrar pra ver você cantar e nem na rua vai lhe abordar!
Na TV? Difícil vê-la...
Como poderá ser?
Só rádio, cd, DVD, mas a Maria Ninguém, como vai fazer?
Todos precisam saber quem é você!
Cris Passinato
Show
de Copacabana - Dia 28/12/2003 - Maria Rita e Lenine!
Duelo
de titãs regado de desigualdades e distâncias minimizado pela
grande sensibilidade de nossos artistas!
Por
Cris Passinato 29/12/2003 – 01/01/2004
Domingo,
dia 28 de dezembro, 9 h da manhã, acordo de uma noite tumultuada e
inquieta, mas acordo, com toda disposição, pois seria um dia
marcante, eu sabia.
Testemunharia
algo, que talvez, hoje, não saibamos a dimensão, mas que poderá
ficar nas nossas histórias e possamos aos nossos filhos, netos e
quem sabe bisnetos vir a contar.
Testemunhar
em um ano difícil tanto para mim, no campo pessoal, como no ponto
de vista mundial, sócio-cultural, enfim, em todos os aspectos nossa
expectativa de algo novo era muito grande.
Bem,
vi e-mail, como de costume, vi os fóruns, que viciei, não tenho
vergonha, pois o carinho e a compreensão dos nossos colegas de fã
clube, coisa que estou ainda relutando, mas quero vir a ser, tipo, a
minha natureza não é essa, estou em uma fase nova, não imaginei
que ficasse tão empolga, ansiosa e dedicada a esse tipo de causa,
mas mais para frente dentro do texto haverá uma idéia pálida
sobre os porquês dessa admiração e desse coleguismo todo para com
meus colegas, pois sinto que todos eles compartilham do mesmo e nem
todos podem estar em shows que eu pude, podem adquirir os produtos
que eu adquiri e sequer podem vê-la de perto e parte disso tudo ou
até isso tudo e mais um pouco, eu pude ter, mesmo que pouco, mesmo
que distante, mesmo com esperas, mas tive e sou muito feliz por
isso!
Deu
10 h e fui arrumar tudo que levaria e tomar meu banho e tal. A minha
indecisão do que vestir era engraçada, mas da forma como eu iria
vestida realmente não dava, daí liguei para mamãe e ela disse-me:
“Vai como você se sente melhor, como você vai para faculdade,
bem solta, sem essa de se arrumar, ein, Cristiana?” Pois bem, como
a mamãe sabia, parecia que tínhamos estado em uma vídeo conferência,
pois lá ia eu com uma roupa muito séria para a ocasião.
A
idéia que tive de início era boa, tipo, ficar em um hotel próximo,
mas o mais próximo era o Copacabana Palace e me dá um medo de
entrar à toa lá, até porque, eu nunca fui lá dentro. Mas a idéia
era de ficar por algum hall
de hotel lendo e de vez em quando tomar um refrigerante ou coisa que
o valha.
Depois
pensei: “Isso não vai dar certo...” Se não der e a praia
estiver tranqüila vou para um quiosque e fico lendo e tomando água
de coco.
Pois
é, saí de casa com essas mil dúvidas e só, pois é, isso mesmo,
deixei todos viajarem, está arriscado de eu não ver a minha
sobrinha nessas férias, pois não fui para casa do meu irmão,
passando meu aniversário, Natal e agora o Ano Novo sozinha e assim
fui ao show da Maria Rita e do Lenine, em Copacabana, em pleno dia
29 de dezembro, só.
Mas
era uma fase reflexiva, pois Maria Rita, desde que havia se lançado
remeteu-me a diversas áreas de meu íntimo, algumas que havia
deixado por diversos anos, um tempo que parecia ter se ido, uma
alegria que não mais estava dentro de mim, aquele árido e vasto
vazio que me deixava sem qualquer inspiração de ser jovem, e como
ela mesma tanto fala, ser leve.
Esse
era o show do fechamento de um ano, de uma fase que para o resto de
nossas vidas, a minha e a dela, a minha, a sua, a de muitos seria um
marco. Os mais ácidos e descrentes que me perdoem, mas ela foi o
marco da renascença da nossa perdida MPB.
Enfim,
lá fui eu, fazendo um trajeto para comprinhas básicas de filmes
para máquina, pois a minha digital foi-se com meus pais para
fotografar minha sobrinha e algo para mastigar, um drops,
chicletes, sabe-se lá o quê, mas fui para dar tempo de pensar
inclusive no que eu iria fazer mais nitidamente. Cabe colocar, nunca
fui assim, se saio pe com destino e objetivos traçados e trilhados
para não se gastar e nem tão pouco perder tempo, mas nesse dia,
tudo tinha se reduzido a um alvo: ao show de Copa.
Assim,
chegando no ponto de ônibus pude pegar tranqüila e calma o ônibus
que me deixou na cara do gol, lá estava o tal palco e aquele hotel
lindo quase de cara – O Copacabana Palace. Como sempre, não foi
daquela vez que me permiti conhece-lo.
Percebi
o sol forte e a falta, o esquecimento talvez de alguns óculos
escuro, o que eu fiz? Camelódramo a vista? Fui correndo comprar um
óculos, aliás “Fashion”
o bichinho, só vendo, R$ 5,00, interessante, mas protegeu bem os
meus olhos, só que percebi também que esqueci o filtro solar e a
pilha da máquina (aliás, eu depois reparei que não abri a máquina
e percebi ter comprado um par de pilhas sem precisar, pois estavam lá,
é possível?), mas no meio da maratona e caminhada, o meu tamanco
de salto plataforma que resolvi colocar que inclusive estava me
matando resolveu descolar no meio da rua e a minha sorte é que no
meio da história, onde sentei, inclusive no Galeto onde meu pai me
levou a minha infância toda, uma senhora apontou uma loja de
artigos esportivos, e fui às compras novamente. Resolvi comprar uma
sandalinha bonitinha e bem barata de R$ 20,00 e pronto, mas detalhe,
só iria levar um dinheiro tal, e depois resolvi me perguntar se
acontecesse algo nomeio do caminho e coloquei uma quantidade “X”
a mais, enfim, estava lá, havia acontecido de fato, presença de
espírito a beca, mas se não fosse isso também ficaria com meus pés
latejando e não teria o ânimo que mais tarde tive para empolgar
tanto no show.
Por
que você está falando dessa história toda, e o show? Nossa, o
show nem foi só o show, o show resumiu-se em tudo isso, pois o
nervoso anterior a ele e os detalhes até que chegasse a apresentação
triunfal da estrela, nossa, até chegar a esse ponto, muita água
rolou, muita gente se conheceu, muitas trocas foram efetuadas,
micos, acontecimentos, enfim, mil e uma situações que para mim e
para um pobre mortal somatizam no encanto do momento e da situação
e marca por uma vida inteira.
Chegando
ao quiosque enfim com tudo em cima, encontrei uma determinada
senhora que falou que nada sabia do show e que estava esperando sua
filha que morava no mesmo bairro que eu por acaso, pois já havia
para puxar papo, por estarmos em uma mesma mesa, e logo veio
perguntando de onde eu vinha, pois estava daquela forma vestida de
preto e não poderia ir somente à praia. Perguntou de meu parceiro,
qual seria ou se estaria o esperando, julgava ela que estaria
acompanhada de meu marido, namorado, noivo talvez e disse-lhe que não
tinha ninguém comigo e nem estavam por vir. A senhora não se
conformava e eu, serena e tranqüila, só olhando o começo da
passagem de som. Comecei a viajar quando chegaram mais duas
senhoras, que também não deixaram de me abordar as mesmas questões,
e eu já agoniada e enfadonha querendo ir para areia ver se era o Da
Lua quem estava no palco, mas de longe não dava para ver nada,
depois vi que não era e fiquei tranqüila em meu posto, esbanjando
tranqüilidade, mas as senhoras a cada ponto do papo eram uma mais
negativa que a outra, uma coisa que só sabiam me apontar perigos,
tudo era negativo e disse-lhes afinal: “Eu fiquei no Rio, não
viajei por esses dois shows, pela Maria Rita de quem sou admiradora
e fã de sua música e o som de sua banda e por conta de Lenine que
admiro como poeta e conheço uma ou duas músicas de seu repertório,
mas sei dele ser um revolucionário da música mistura estilos e
sons com uma grande naturalidade e tudo cai bem, por isso e por
muitos outros motivos, movi-me e tive coragem de encarar essa”.
Pronto,
elas começaram a dizer a coisa que eu já não agüento mais, era o
passaporte para minha decisão de ir para areia, o que elas
disseram? Adivinhem só? “Pois é, né? Essa menina é a mãe
toda, ela é a mãe, Elis está no palco, ela renasceu, ela está
viva...”. Eu quase falei que Elvis também canta com a Lisa Marie,
sabe? Ele entra no corpo dela e coisa e tal, mas não gastei minha
paciência com isso, pois estava ainda por vir muita coisa, pois
ainda eram treze horas e o show só seria às vinte horas, ou seja,
tinha que abstrair e pedi licença e fui. Elas queriam porque
queriam que eu ficasse ali com elas e que aquele seria o melhor
lugar que assistiria o show... Imagina, se ficasse nesse quiosque não
veria nem metade do que já vi. Foi perto, mas ao mesmo tempo longe,
sabe?
Continuando
a jornada, agora na areia, cheguei perto quando Lenine começou o
seu ensaio, mas antes reparei no palco lá no fundo, no baixo uma
pessoa diferente, um cara quietão, só de cabeça baixa, mas um
rapagão alto, com um rabo de cavalo grisalho, bem, eu já tinha
visto aquele cara em algum lugar! Pois é, era o irmão da Maria
Rita, o Marcelo Mariano, aliás, como ela mesma apontou, o moço é
uma beldade, mas a menina, mais a frente, na sua apresentação,
logo cortou o barato das futuras e possíveis fãs, pois é casado e
tem filhos, pronto, a mulherada frustrou e o ciúme imperou naquele
palco mais adiante no show diante da multidão, menina possessiva?
(risos)
Pois
bem, começou a minha tietagem de longe, mas contida, mas olhei a
passagem dele de perto quietinha lá no meu canto, quando entrou
Lenine logo em seguida, começaram a ensaiar algumas músicas e
agente começou a reparar pessoas se aglomerando, papo vai e papo
vem, pessoas conhecendo-se, fazendo acordos, muito engraçado. Eu
fiz uma sociedade entre minha canga e a cadeira da Wanda, uma
senhora que conheci que mora na Suíça. Foi muito legal, pois
conversamos muito, tivemos muito o quê rir, o principal, havia nos
atrapalhando a visão, com a proximidade maior do palco uma área
vip e um corredor que serviria para os seguranças dos vips e eu
reparando bem, vi umas meninas da limpeza do local, parece que o
pessoal que estava servindo aos vips e nos camarins, limpando cada
cadeirinha dos tais, e eu parei para pensar: “Eu aqui na lua de
quarenta graus quase, desde cedo, com meu traseiro na canga e da
canga para cadeira, feito um bife à milanesa, completamente já
vermelha e toda suada, meu cabelo ressecando pela maresia, morrendo
de sede e vendo aquilo, não resisti, até vou registrar, quero umas
fotos desse momento e essas são as literalmente vips”.
Isso
quando ainda estava se não me engano ainda no Lenine tocando, daqui
a pouco vejo Lenine parando e o povo indo para água, saindo de
perto quando vejo alguém vindo abraça-lo. Uma menina toda de
branco (acho que a camiseta era bege, mas de longe vi tudo branco) e
um monte de mulheres em torno, só vi mesmo a Juliana Funaro, a
empresária dela para lá e para cá e a Guete, a produtora de
costas. Foi então, quando uma senhora insistentemente começou a
tentar bater fotos, percebi ser do Sul, gaúcha, sim o sotaque era
de gaúcha, mas tudo bem, a senhora se indignou porque a produtora
da MR estava só na sua frente e depois veio a MR abaixando para não
ser clicada e a moça para lá e para cá, aquilo foi me dando uma
agonia que exclamei: “Não está vendo que a moça está só
tentando trabalhar com um pouco mais de concentração, tem hora
para tudo, mais tarde ela estará produzida para tais fotografias,
saiba esperar”, mas a moça inconformada dizia-me que MR era uma
pessoa pública e era OBRIGADA a ser fotografada quando os fãs
quisessem... Ah! Pra quê? Vocês não imaginam, disse-lhe essas
palavras que a Wanda ficou estupefata: “Obrigada? A estrela é ela
e nós que a temos que entender? Ponto, vírgula e correção
senhora, nem de cantar ela tem obrigação de cantar de graça, nem
de aparecer agora ela tinha obrigação, faz porque é profissional
e está atentando para o som, para mais tarde a senhora não vir a
reclamar da qualidade do trabalho dela, sabe o quê é tentar
trabalhar e as pessoas não terem o simancol de que as pessoas têm
direito de o mínimo de privacidade e de um pouco de
individualidade, mesmo que essas sejam o mais públicas possível?..”
e foi nessa hora que ela desistiu e foi-se, que a Wanda me catucou e
mandou olhar para o palco e quando vi a MR olhando em nossa direção
e com a expressão meio de surpresa e tal, mas não imaginava que
estava falando tão alto e fiquei morta de vergonha, bem, bobagem,
pois tantas acontecem com ela que aquilo diluiria no meio de tudo e
acho que só deve ter sentido um ruído de alguém atrapalhando, mas
fiquei na minha. Pensei, vou lá, vou gritar, mas que nada, fui
vendo a coisa de longe e fui percebendo que a coisa estava ali meio
que séria, a galera concentradíssima, então de novo pensei com
meus botões: “Vou ficar quietinha aqui na frente comportada, para
não atrapalhar que de vez em quando a MR olha para cá e eu tiro
uma foto e mando um tchauzinho, sei lá, mas procurá-la, agora,
pelo menos, não!”
Foi
quando um japonês falando inglês fez-me uma pergunta curiosa, se
essa menina que era a filha do César Camargo Mariano, aí eu morri
de rir e falei que sim, aí ele questionou que ela teria a voz idêntica
a Elis e que ela imitava e eu explicando com meu “very poor
english” que ela seria filha da mesma, nossa, ele ficou meio sem
graça e falou que nem sabia que o César teria sido casado com a
cantora, enfim, até eu explicar tudo, sendo como sou, já irritada,
enfim, a Wanda ajudou um pouco, porque parece que o “Japa” sabia
um pouquinho de português, então ficou mais fácil e a coisa
melhorou, pois ele falou que só iria ao show para ver o talento da
menina, então. Acho que as pessoas já falam para me acalmar, pois
fico com uma cara, avermelho, fico indignada de fato com essa
perseguição gratuita, mas nesse caso o cara sabia muito pouco e
sabia mais do pai, menos mal. Pelo menos, alguém perguntou do pai!
E
quando perguntam da gravidez e a menina de barrigão e outras evidências...
Tolerância Zero! Sinceramente! Não, não está grávida, ela está
com barriga d´água e colocou silicone para ficar mais rechonchuda!
Gente, o que tem haver ela estar ou não grávida, ela está ótima,
plena, solta, mais feliz e cantando muito, mas acham que ela está
doente, só pode!
Bem,
só assim, com ela voltando ao palco para ensaio com Lenine que
acalmei meus ânimos.
Ela
fez, foi, voltou, mas não cantou no microfone, parecia nervosa,
inquieta, não olhava para agente, fiquei tensa com aquilo, sabia
que não era o seu normal, algo estava acontecendo e mais tarde no
show, ela explicou que era o tal nervosismo perto dele, pois bem,
compreensível, mas ela não resistia, parava e olhava para trás e
se assustava a cada grupo que enchia, pois ela teve que passar
“Lavadeira do Rio”, não teve jeito, pois tinham que no arranjo
do grupo do Lenine e também afinar um tom intermediário entre os
dois e assim foi enchendo, gente vindo correndo da água e tal,
pergunta para lá e para cá, e isso foi crescendo e quando ela viu
estava um aglomerado ali, e como se não bastasse depois fiquei
sabendo que lá fora do lado do palco no calçadão também, isso
que me deu medo, de incomodar e pelo visto, graças a Deus não a
incomodei.
Falaram-me
que realmente, ela havia estado meio tensa.
Bem,
sei que quando ela voltou para passar o som dela, antes aconteceu um
fato tão legal, depois de ter ficado horas conversando com o
pessoal e ver cada um dos integrantes das bandas testando e
exercitando suas partes na história toda, veio o Thiago Costa e o
Sylvio Mazzuca começaram a passar suas bases e eu, sem querer
comecei a cantar baixinho a música que tocava, agora não me lembro
qual, pois o pessoal começou a ouvindo isso cantar junto e nós,
nessa altura, já estávamos formando um lindo coro, assim entrou no
palco para ensaiar MR, assim que ela nos viu veio dizendo, com as mãos
na cintura:”Olha, quero esse mesmo pique no show, eu preciso de
vocês com essa energia, só quero ver, conto com vocês...”
Eu
quase tive um treco, comecei a gritar que eu a adorava e ela era
linda e ela olhou em minha direção, eu tirei até uma foto desse
instante, mas de novo com a mãozinha na cintura e sorriu, meu Deus,
mesmo que não tenha sido para mim, mas eu pensei: “Ela nos
escuta, ela me escutou, não acredito!”
Nessa
ela veio dizendo: “Só vou passar uma, ein?” Quando vimos, ela já
estava na quarta ou quinta, quase foi um show a parte o ensaio, e
gente chegando, gente cantando, o povo aplaudindo e ela: “É só
ensaio, gente.” Avistou um fã que ela conhecia e mandou:”Você
não cansa, não?” Fiquei sabendo depois que esse moço só tinha
ido a ver quinze vezes, mas a minha raiva é que ela não fala nada
quando me vê, não lembra de mim, mas em todo show, aqui no Rio,
pelo menos, eu estou lá na fila do gargarejo, sempre mandando um
grito ou um gesto que ela repara, mas não me dá certeza de nada
essa danada? Ao mesmo tempo, fiquei pensando, mas que coisa mais
infantil e que carência mais idiota, ela é uma estrela, uma
artista, ela está lá em compromisso com uma multidão com esse
povo que sofre tanto e que ali estava em delírio e compartilhando
uma energia muito maior, e eu não tinha direito de não
compartilhar com esse pessoal e desagragar e destoar daquele imenso
cordão de amor.
Isso
era só o ensaio, não imaginam a loucura que foi no show, a explosão
de paixão e energia positiva, foi demais.
Bem,
poderia detalhar música por música, cada explosão, cada minuto,
mas fiquei naquele momento cega e só eu e a menina que estava ao
meu lado de São Paulo que sabíamos o que era aquele delírio em
estar em frente do palco, meio distante (pausa para lembrar e dar
aquela choradinha básica), mas em “Encontros e Despedidas” a última
antes de “A Festa” que é a despedida, pronto, não resisti,
comecei a debulhar, quando ela começou a cantar o verso “A hora
do encontro é também despedida...” aquilo bateu tão forte em
mim, perguntei-me instantaneamente, porque toda vez que a Maria Rita
vem ao Rio é tão assim, é muito rápido e ficamos longe? (Mais
choro)(por isso que está sendo um parto acabar essa crônica,
relato, seja lá o que for para mostrar o como essa moça é grande
e importante pelo menos para mim).
Bem,
sim, era a despedida em “A Festa”, delírios, levantada geral,
quem não levantava e ela pedia, eu gritava, mandava e neguinho até
achou que eu estava passando mal, mas gritava: “Ô peruada vip,
vambora ae levantar! LEVANTA! LEVANTA! ELA TÁ MANDANDO, DÁ PARA
LEVANTAR!”
Enfim,
ela foi-se, show do Lenine, meu gás tinha se esvaído, não tinha
mais pique, enquanto isso, as pessoas iam atrás da Maria Rita em
camarins, como se fosse fácil, quando vi ao passar, o lance lá
para trás do palco era enorme, uma cidade, cheio de bares, de ocas
que deviam ser os camarins, mas eu só sei o seguinte, eu fiquei
porque sabia que ainda tinham duas músicas, mas baixou depois do
choro uma moleza, uma melancolia que quando ela veio para
“Lavadeira do Rio” e o pessoal vip se aglomerou lá no palco
tudo um em cima do outro e nessa hora ela falou muito fofa: “Vai
cair aí...” Uma menina que se preocupa sabe? A área vip em parte
tinha muitos deficientes físicos e mentais e vi também muitas
crianças e senhores, acho que algo dessa espécie foi feita, não
sei, mas tinha muita gente conhecida, mas todos tietes completos e
pior que agente, sabe? Tietes da Maria Rita, porque o Lenine começou
a tocar e só vi uma evasão para o tal bar, e voltavam calibrados
de cervejas, bebidas e outros bichos, e o povo na seca, é isso aí.
Ah!
Eu poderia ficar escrevendo cada detalhe e cada minuto, cada música,
cada emoção, mas é muito, muito extenso e acaba por estar já em
cinco páginas de depoimentos em forma de crônica, que acaba em que
ainda tentei pegara MR
saindo do show, a peguei, mas entrando no carro e saindo, nem deu
tempo, estava rolando uma briga e poderia até ser perigoso se eu
tentasse abordar, então saí de fininho e como estava tudo muito
confuso e fechado ainda fiquei um pouquinho por lá, peguei um
salsichão com Fanta Laranja em uma dona que malhou o show dizendo
que o da Ana Carolina tinha sido melhor e que para dormir com mais
essa, ela manda a seguinte: “Ela não é a Elis, né? Ela é a
filha, então, coitada, ela não passa mais nada disso?”, pois é,
dormi ouvindo essa última, mas estava sem forças. Ainda fiquei
perguntando entre uns dez guardinhas municipais, detalhe, nunca vi
tanta viatura e tanto policial aglomerado, mas do lado vi uma van
que entraram os músicos da MR, lógico que o único que consigo
gritar algo é pro Da Lua e ele sempre olha e dá um aceninho e tal,
mas nada de foto nova... Um dia, eu chego lá... Eu consigo minhas
fotos legais e guardo para sempre e não perturbo mais! Lado
aborrecente vibrando e gritando dentro de mim pungente, recém
feitos trinta anos, pode isso?
O final da maratona foi que depois de fazer o lanchinho básico,
nada light para quem já está tendo que entrar o ano em dieta para
variar um pouquinho, ainda consegui ter a sorte de pegar na Barata
Ribeiro chegando no sinal e, na hora H, chegando o ônibus, com ar,
dieto para o Recreio. Nem acreditei, chegaria em casa, sã e salva,
no frescor de montanha e não teria neuras, ainda peguei uma senhora
muito simpática com seu filhote (gatinho diga-se de passagem, mas
muito baby, estava fazendo naquele momento, na virada para o dia 29,
ali no ônibus 18 aninhos, não é lindo? Até parabéns pra você
teve! Não sou MR, mas dou para o gasto... (risos)). Papo vai, papo
vem, declarações e rasgações, defesas em prol da MR, pois afinal
a senhora ali falava a mesma coisa, o mesmo refrão que, por
exemplo, a minha mãe catequizada não mais fala, porque já
coloquei de castigo e no Canecão, mamãe não a conheceu por essa
neura necrófoba de chamar a menina de a cara da Elis o tempo todo e
que isso assim, e isso assado é igual, poxa, vamos considerar,
passou do tempo e já deu, como já cansei de colocar. Foi tão tão
a minha defesa que ela começou a falar de outras coisas, nem mais
citou a semelhança, suspirando sempre, eu cada vez que lembrava de
um detalhe, ficava vibrando, sabia que seria difícil dormir naquela
noite, mas no meio do caminho tinha uma pedra... tinha uma pedra no
meio do caminho... Como tudo não é perfeito, o ônibus enguiçou
no meio do deserto da Avenida das Américas, na altura do Barra
Bali, realizem? Pois é, ficamos dentro do ônibus esperando o
estorno de nossas passagens e nada feito, foram-se mais vinte ou
trinta minutos, brincávamos, cantávamos, conversávamos e o ônibus
fechado, abafado e subindo o cheiro de óleo e eu resolvi no ímpeto
de que estava apertadíssima, morta de sono, podre de vontade de um
banho, com sede, enfim, havia ficado um dia inteiro na soleira de
quase quarenta graus e não estava para passar a noite ali e cheguei
no motorista e mandei a decisão, mas tudo em vão, foi quando
decidi, ADEUS, quem quiser que me acompanhe e fui, pegando o
primeiro táxi que podia, como disse, nesse dia, eu estava liberada
para gastar, porque era a minha comemoração de Aniversário, Ano
Novo, Natal, todas juntas de Maria Rita, nossa querida cantora que
me faz anestesiar todas as dores e passar por todas essas
dificuldades e ainda dizer, pois é – Veja bem, meu bem... Tudo
isso vale a pena, mas sim, você vale muito a pena, Maria Rita, anjo
da música, diva da MPB, para mim, nunca esquecerei dos desafios e
obstáculos dentro das maiores dificuldades que me fez ultrapassar
vendendo medos que a muito não havia mais pensado em relutar!
Obrigada,
você é grande!
Letras
de Lenine que me fizeram pensar, pensar, chorar e refletir durante o
show!
Paciência
(Lenine
e Dudu Falcão)
Mesmo
quando tudo pede
Um
pouco mais de calma
Até
quando o corpo pede
Um
pouco mais de alma
A
vida não pára
Enquanto
o tempo acelera
E
pede pressa
Eu
me recuso, faço hora
Vou
na valsa
A
vida é tão rara
Enquanto
todo mundo espera a cura do mal
E
a loucura finge que isso tudo é normal
Eu
finjo ter paciência
O
mundo vai girando cada vez mais velos
A
gente espera do mundo, e o mundo espera de nós
Um
pouco mais de paciência
Será
que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será
que temos esse tempo pra perder?
E
quem quer saber
A
vida é tão rara, tão rara
Mesmo
quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo
quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu
sei,
A
vida não pára
(não
tenho certeza se ele tocou no show essa, mas eu lendo achei muito
dentro de meu momento e acredito que tenha sido cantada sim,
sinceramente ainda estava meio em transe com o show da MR!)
Distantes
Demais
(Lenine/
Dudu Falcão)
Somos
Somente
A
fotografia.
Dois
navegantes
Perdidos
no cais,
Distantes
demais.
Somos
Instantes
Palavras,
poesia.
Dois
delirantes
Ficando
reais,
Distantes
demais.
Noites
de sol,
Loucos
de amar,
Quem
poderia nos alcançar.
Eu
e você,
Sem
perceber,
Fomos
ficando iguais,
Longe,
Distantes
demais.
Versão
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